terça-feira, 29 de abril de 2014

Multiplicando informação

Candidatura Confessional Contra o Estado Laico

Secular State mapLegendas de Estados Laicos e Confessionais
César Felício (Valor, 31/03/14) avalia que a candidatura presidencial do pastor Everaldo Pereira (PSC) tem potencial para atingir até 10% dos votos, expressando a avaliação de cientistas políticos dedicados ao mercado eleitoral. Pastor da Assembleia de Deus, a maior denominação pentecostal do país, Everaldo está com 3% de intenção de voto na última pesquisa Ibope, e poderá se tornar o primeiro candidato a presidente na história do Brasil a usar a religião como sua principal bandeira. Demais candidatos da oposição ficaram felizes com esse lançamento de candidatura por causa da esperança de levar a eleição para o segundo turno.
“Ele tem um teto de 8% a 10%caso faça uma campanha muito eficaz e não seja alvo de denúncias“, disse o cientista político Antonio Lavareda, da MCI. Lavareda estimou o potencial com base no histórico das eleições de 2002 e 2010. Na primeira, o governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, disputou a presidência pelo PSB e teve 18% dos votos. Na segunda, a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva concorreu pelo PV e conseguiu 19%. Ambos são evangélicos, mas não fizeram dessa condição o elemento central de suas campanhas.
“Tanto em um caso como em outro, pode-se afirmar que pelo menos metade do que conseguiram foi um voto de afinidade, dado pela população evangélica. O resto foi por terem outros atributos que o pastor Everaldo não possui”, comentou Lavareda. O cientista político pondera que Everaldo poderá ter peso em um segundo turno, mas não será o elemento determinante para que a eleição presidencial não se resolva já em outubro. “Um conjunto de outros fatores, como o potencial de crescimento dos candidatos mais fortes de oposição e a avaliação de governo da presidente Dilma Rousseff devem ser mais importantes para definir o segundo turno”.
O Brasil conta com 22% da população evangélica, de acordo com o censo de 2010. Destes, cerca de 13% são pentecostais e 5% não têm uma identidade definida, frequentando diversas denominações. Apenas 4% pertencem às igrejas tradicionais, como luteranos, batistas, metodistas e presbiterianos.
É um segmento com peso cada vez maior: em 1991, dois anos depois da primeira eleição presidencial da redemocratização, apenas 9% dos brasileiros eram protestantes. Em 19 anos, a população católica caiu de 83% para 65% e a dos não-religiosos passou de 5% para 8%. Entre os pentecostais, a Assembleia de Deus representava 48%, contando há quatro anos com 12,3 milhões de fiéis.
Igrejas evangélicas começaram a se organizar para disputar o poder em 1986, nas eleições para a Assembleia Nacional Constituinte. Em 1989, houve um ensaio mal sucedido para a presidência: a candidatura de Armando Correa, do extinto PMB, que se retirou da eleição para apoiar o empresário Silvio Santos, manobra anulada pelo TSE dias antes da eleição. Em 2002, na eleição estadual em São Paulo, o então vereador paulistano Carlos Apolinário, do PGT, lançou-se para o governo estadual por uma coligação chamada “São Paulo nas mãos de Deus”. Teve 3,6% e ficou em quarto lugar.
O segmento evangélico era muito menorEstamos diante da primeira microcandidatura confessional para presidente que não é traço nas pesquisas“, disse o cientista político Marcos Coimbra, do Instituto Vox Populi, que é conservador sobre a autonomia de voto de Pereira. ” Ele só consegue este percentual porque se apresenta como ‘pastor‘ na corrida eleitoral. O PSC não acrescenta nada e a pessoa física dele também não. A bancada evangélica apresenta uma agenda centrada em questões de valores individuais, como as relacionadas com aborto, drogas e casamento homossexual, que nunca foi motivadora de voto majoritário“, diz.
No Legislativo, a bancada evangélica conta hoje com 73 deputados federais e dois senadores. Sua candidatura mais competitiva a um governo estadual é no Rio de Janeiro, onde o senador Marcelo Crivella (PRB), da Igreja Universal, deve disputar o cargo pela segunda vez. No ano passado, a bancada foi marcada pelo estilo estridente do deputado Marco Feliciano (PSC-SP), que foi presidente da Comissão de Direitos Humanos.
A tendência dos candidatos evangélicos a cargo majoritário é só adotar este modelo quando disputam em situação pouco competitiva. Se a intenção é entrar para ganhar, suavizam o discurso. Feliciano chegou a se lançar candidato ao Senado em dezembro, mas no mês passado anunciou em redes sociais que irá disputar novamente a Câmara. Alegou que não tinha condições de obter nove milhões de votos, o que estimou como necessário para ganhar. Disse que vai esperar 2018, quando são duas vagas para o Senado por estado.
A debilidade central é que parte do eleitorado sensibilizado pela plataforma conservadora é católica e tende a rejeitar um candidato evangélico. Desta maneira, os evangélicos não têm como se aproveitar do espaço que existe no Brasil para o conservadorismo, a não ser que fiquem confinados às eleições proporcionais”, comentou o pesquisador César Romero Jacob, da PUC do Rio de Janeiro.
Fábio Brandt (Valor, 31/03/14) informa que o pastor Everaldo Dias Pereira (PSC) se prepara para entrar na eleição presidencial defendendo “privatizar tudo o que for possível”. “Enquanto este governo é estatizante, nós somos privatizantes“, disse o pastor. Na avaliação de Everaldo, “por enquanto”, não é necessário transferir para a iniciativa privada “patrimônios nacionais” como a Petrobras, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil. Mas ressalva: “Tem muita subsidiária da Petrobras que não precisa ficar na mão do Estado para negociações políticas e corrupção”. [Opinião "2 neurônio" típica de gente da direita cuja autoimagem é "purista", mas a prática...]
O pré-candidato quer deixar para trás a polêmica protagonizada por seu partido em 2013, quando indicou como presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara o deputado Marco Feliciano (PSC-SP), que foi acusado de ser racista e homofóbico por grupos ligados a minorias. Questionado sobre qual será o tom de sua campanha, se temas caros aos religiosos como o aborto estarão presentes, Everaldo desconversa…
Nascido na favela do Acari, no Rio de Janeiro, Everaldo tem 58 anos e é pastor da Assembleia de Deus, assim como Feliciano. Ele também é pai de um integrante da bancada evangélica, o deputado federal Felipe Pereira (RJ). Apesar da associação do PSC com denominações evangélicas, Everaldo diz que não se trata de “um partido de igreja” nem evangélico. Para comprovar o que diz, lembra que os últimos três líderes da sigla na Câmara são políticos católicos: o fluminense Hugo Leal (hoje filiado ao Pros), o paranaense Ratinho Júnior e o sergipano André Moura.
“É um partido que se norteia por princípios cristãos, da moralidade e do respeito. Moralidade com a coisa pública, com os recursos públicos”, afirma. [E o dinheiro do povo pago em dízimos? Prestam contas de seu uso? Pagam impostos?]
Cita o crescimento da sigla nos últimos anos. “Em 2003, tínhamos um deputado federal. Em 2006, elegemos nove federais. Em 2010, 17 federais”, afirma.
Além do número de deputados do PSC ter crescido, o número de votos recebidos pelo partido na eleição para deputados federais, desde 1998, só cresce. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 1990, quando foi fundado, o PSC teve 342.079 votos para deputados, 0,84% do total nacional. Depois de um período de baixa em 1994 1998 e 2002, a sigla foi para 1,9% dos votos em 2006 e em 2010 atingiu três milhões de votos, ou 3,18%. Em 1994 e 1998 teve candidato próprio a presidência. Na primeira eleição, o almirante Ernani Fortuna. Na segunda, o procurador paulista Sergio Bueno, ambos com votações insignificantes.
Em 2014, segundo Everaldo, o PSC pretende dobrar sua bancada de deputados (atualmente são 11 no exercício do mandato).
O PSC dividiu as propostas em três eixos.
  1. O primeiro é o da governança, no qual quer ideias para dar “leveza e agilidade ao Estado”.
  2. O segundo é sobre o poder nacional, relações internacionais e Forças Armadas, no qual serão listadas sugestões para dar “respeitabilidade ao país”.
  3. O terceiro e principal capítulo é relacionado à qualidade de vida. Nele, a sigla quer propostas (e críticas às políticas do atual governo) para a saúde, segurança, educação, mobilidade urbana, qualidade do emprego, lazer e outros itens que fazem parte do cotidiano mais próximo da população.
FNC: Em época eleitoral, o exercício mental maior dos “políticos” é conseguir enumerar “os dedos da mão” e relacionar cada um a uma “proposta” genérica. Este conseguiu contar só até três
Um Estado secular ou Estado laico é um conceito do secularismo onde o Estado é oficialmente neutro em relação às questões religiosasnão apoiando nem se opondo a nenhuma religião.
Um Estado secular trata todos seus cidadãos de maneira igual, independentemente de sua escolha religiosa, e não deve dar preferência a indivíduos de certa religião. Por isso, mesmos religiosos de certas Igrejas devem o defender, para não sofrerem perseguições de religiões antagônicas.
Estado teocrático ou teocracia é o contrário de um estado secular, ou seja, é um estado onde há uma única religião oficial, como é o caso do Vaticano (Igreja Católica), do Irã  (República Islâmica) e Israel (Estado Judeu).
Estado secular deve garantir e proteger a liberdade religiosa e filosófica de cada cidadão, evitando que alguma religião exerça controle ou interfira em questões políticas. Difere-se do Estado ateu - como era a extinta URSS - porque no último o estado se opõe a qualquer prática de natureza religiosa. Entretanto, apesar de não ser um Estado ateu, o Estado Laico deve respeitar também o direito à descrença religiosa.
Um país laico é aquele que segue o caminho do laicismo, uma doutrina que defende que a religião não deve ter influência nos assuntos do Estado. O laicismo foi responsável pela separação entre a Igreja e o Estado e uma conquista social com a Revolução Francesa.
Um Estado confessional é aquele no qual há uma religião de Estado, ou seja, uma oficialmente reconhecida pelo estado, o que não deve ser confundido com uma teocracia. Na atualidade, existem poucos Estados realmente confessionais no planeta, sendo exceções notáveis os países do mundo islâmico e o Vaticano.
Estado confessional é um atraso da Civilização!

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