quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

João Baptista Herkenhoff

Jardins de infância
 
                                
          Basta a referência a uma obra para que Raymundo Andrade nunca seja esquecido em Cachoeiro de Itapemirim.
          Tudo que ele fez ou deixou de fazer, todos os acertos e erros de sua vida pública perdem relevância quando nos postamos à face do magnífico Jardim de Infância que esse cidadão, que então não era um político, construiu na cidade de Rubem Braga. A instituição, depois de sua morte, passou a ter seu nome.
          A inspiração para criar o Jardim de Infância nasceu de uma viagem que Raymundo Araújo de Andrade e sua esposa Maria da Victória fizeram à Argentina, quando tiveram a oportunidade de conhecer um jardim de infância.
          Na época em que foi criado o Jardim de Infância em Cachoeiro, só havia no Estado o Jardim de Infância Ernestina Pessoa, localizado em Vitória.
          A fundação de um jardim da infância, numa cidade interiorana, onde havia quintais e ruas sem perigo para que as crianças brincassem, só não era de causar espanto maior porque essa cidade tinha uma grande tradição cultural – terra de poetas, escritores, compositores, estadistas.
          Mesmo assim, nem todos acreditaram no projeto. Criticaram Andrade pelo seu sonho que parecia coisa de megalomaníaco.
          Com a crença de uns e a reprovação de outros, o Jardim de Infância foi adiante.
          Os jardins de infância buscam estimular a curiosidade das crianças. Criam um ambiente pródigo em oportunidades de agir e interagir. As crianças relacionam-se umas com as outras e também com adultos. Neste intercâmbio crescem mentalmente e socialmente. Os jardins de infância desenvolvem o potencial linguistico, afetivo, social, estético, cognitivo e motor dos pequeninos que, de maneira natural e espontânea, aprendem a respeitar as diferenças. O jardim de infância assinala um marco positivo na vida das crianças, motivo pelo qual são felizes todas aquelas que têm a oportunidade de desfrutar deste tesouro educacional.
 Para crescer de maneira harmoniosa, toda criança precisa de outras crianças e de um espaço capaz de lhe proporcionar experiências de desenvolvimento físico, mental, existencial. Esse espaço físico deve ser projetado para proporcionar liberdade de movimentos, contidos apenas pela aprendizagem do respeito de uns para com outros.
A entrada de uma criança para o Jardim de Infância implica na separação dos pais ou daquelas pessoas que constituem seu universo. A criança não tem uma exata noção de tempo e não sabe quanto vai durar a separação ou até mesmo se é uma separação definitiva. Pode sentir-se abandonada, um pouco sozinha. Pode chorar, gritar, bater, atirar coisas no ar. Por este motivo muitos cuidados devem cercar este momento preliminar para que não seja de angústia mas, pelo contrário, seja de alegria pela experiência do novo.
 
João Baptista Herkenhoff é magistrado aposentado, Livre-Docente da Universidade Federal do Espírito Santo e escritor.
 
É livre a divulgação deste artigo por qualquer meio ou veículo, inclusive através da transmissão de pessoa para pessoa.

João Baptista Herkenhoff

Juízes no interior
                            
          Recebi há poucos dias, por via postal, dois documentos de grande significação, remetidos por Antônio Borges de Rezende, que foi Prefeito Municipal em São José do Calçado (ES).
          O primeiro documento refere-se ao ato de sua diplomação como Prefeito eleito. É datado de 8 de dezembro de 1970 e foi assinado por mim, então Juiz Eleitoral, e pelos dois cidadãos que comigo integravam a Junta Eleitoral daquela comarca: Professor Aderbal Ferreira Diniz e Doutor Epaminondas Gomes Moreira. O segundo documento é uma foto da solenidade de diplomação, quando o magistrado declara eleito aquele que, pelo voto popular, foi escolhido para dirigir os destinos da comuna. Nessa foto, além do Juiz e do Prefeito, aparece também o cidadão José Vieira de Rezende, uma figura importante na História do Município. Já se vão quarenta e quatro anos do dia em que essa foto foi batida, motivo pelo qual, tanto o Juiz, quanto o Prefeito, eram então muito jovens.
          O recebimento dessas duas reminiscências históricas, faz-me relembrar os tempos vividos em São José do Calçado, onde fui, não apenas Juiz de Direito. Eu e minha mulher Therezinha fomos professores do Colégio de Calçado, fundado pela Professora Mercês Garcia Vieira, em 1939, e encampado pelo Governo Estadual em 1959. Participávamos da vida da cidade, de tudo que ali se fazia em benefício do povo. Seguindo a trilha de Homero Mafra, que tinha deixado entre as pedras dos Pontões a sua marca, colaborei com frequentes artigos no semanário “A Ordem”. Tempos gloriosos em que o Juiz não era somente aquele que, no forum, decidia as contendas, ouvia as partes, proferia sentenças. O juiz era um líder, um incentivador do progresso, um agente da cultura e dos avanços sociais.
          Certamente os tempos são outros, tudo mudou. Mas não me parece que devam os juízes de hoje abdicar de seu papel social, colocando-se à margem das comunidades. Não devem restringir sua ação ao expediente forense.
          Muitos dos atuais integrantes da magistratura capixaba foram meus alunos na UFES. Pelo menos a estes posso aconselhar. Não se sintam desobrigados de seus deveres exercendo dignamenrte a judicatura. Este é, sem dúvida, o mais importante compromisso. Entretanto, com boa vontade e idealismo é possível oferecer um “algo mais” aos jurisdicionados e ao povo. Este “algo mais” não vai subtrair nada da função judicante. Muito pelo contrario, a função judicante será enriquecida por esse suplemento de trabalho e dedicação. Quando o juiz transitar pelas ruas. o cidadão, ao divisar sua figura, não pensará apenas “ali está o juiz”. Com respeito e afeto seu pensamento irá além: “ali está o juiz, que é professor dos meus filhos”.
 
João Baptista Herkenhoff, Juiz de Direito aposentado (ES), professor e escritor. Acaba de publicar Encontro do Direito com a Poesia – crônicas e escritos leves. (GZ Editora, Rio de Janeiro).
 
É livre a divulgação deste artigo por qualquer meio ou veículo, inclusive através da transmissão de pessoa para pessoa.
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domingo, 16 de fevereiro de 2014

Pastor Sergio Lourenço Jr.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

REVISTA VEJA ADMITE QUE TELEXFREE NÃO É PIRÂMIDE

Peguei um trecho de uma notícia da revista Veja eletrônica totalmente tendenciosa, aliás quando se trata do assunto TelexFREE a Veja só fala bobagens, alguns profissionais acham que divulgador da TelexFREE fugiu da escola, parece piada, a pessoa que escreveu essa notícia está com más intenções ou não tem informação nenhuma sobre o caso TelexFREE. Reportagem totalmente tendenciosa mas acaba admitindo que a TelexFREE não é “Pirâmide” basta interpretar. Confira na imagem abaixo a notícia depois vou fazer uma interpretação e vão perceber que estou falando a verdade.
1 – Já começou tudo errado utilizando o nome TelexFREE porque o processo é contra a Ympactus empresa que representava a TelexFREE no Brasil, não acredita? Veja você mesmo na liminar e na ação principal, destaque no “Réu” que é o nome dado, no direito a uma das partes do processo judicial, em contraposição ao autor que no caso é o Ministério Público do Acre:
Cautelar Inominada (YMPACTUS) - http://esaj.tjac.jus.br Ação Civil Pública - http://esaj.tjac.jus.br
2 – Como uma pessoa em um cargo tão importante envolvida em um caso tão delicado tem a capacidade de fazer uma conta dessas, a quantia bloqueada não dá para ressarcir todas pessoas como assim? Quer dizer que todo mundo está no prejuízo, é claro que não! Não podemos fazer uma conta assim, e as pessoas que tiveram lucro revendendo os planos VoIP essas não contam, então essa divisão da quantia bloqueada com todos divulgadores nunca dará certo. Lembrando que até o bloqueio ninguém teve prejuízo a empresa sempre honrou com seus compromissos. A empresa nunca provou que 200 milhões daria para ressarcir os divulgadores, então quer dizer que a empresa não prova nada, e o MPAC provou alguma coisa? Nesses 6 meses que acusa a Ympactus cade a prova da atividade ilícita?
3 – Agora a parte mais importante TelexFREE não é pirâmide, a pessoa que escreveu a notícia admitiu isso mas acho que nem percebeu, sim para ser um divulgador TelexFREE todos pagam a adesão de 50 dólares (Partner ou parceiro) e pode a partir daí adquirir pacotes de planos VoIP (produto da empresa) para revender, é óbvio que quanto mais pacotes adquirir mais se vai ganhar, “quanto mais produto eu tenho, mais eu revendo, mais eu ganho horas”. Deu para perceber que a quantia maior de dinheiro vem da revenda do produto ou tenho que desenhar? Se TelexFREE fosse pirâmide só teria as adesões de novos membros não teria a revenda de produtos. Se acha que o VoIP 99TelexFREE não é produto basta fazer uma pesquisa no Google que vai achar várias demonstrações.

4 – Pra fechar com chave de ouro a Veja conversou com vários divulgadores mas acho que nenhum era divulgador da TelexFREE, não utilizar o VoIP tudo bem, tenho a obrigação de saber sobre o produto da empresa mas não tenho a obrigação de utiliza-lo, quando participei da Herbalife não tomava Shake. “Seu trabalho consistia em investir na empresa e passar o dia postando mensagens em sites da internet e redes sociais chamando novas pessoas para aderir à TelexFREE”, trabalho de postar mensagens em sites e redes sociais? A pessoa que escreveu isso não tem a mínima ideia do que é TelexFREE, veja a imagem abaixo anúncios da empresa que são feitos em sites de classificados e não em redes sociais, se achar algum que não seja para o produto me avisa que não encontrei:

Pastor Sergio Lourenço Jr

domingo, 15 de setembro de 2013

RECUPERAÇÃO DO BISPO TID HERNANDES FILHO DO ESTEVAM HERNANDES É PRATICAMENTE IMPOSSÍVEL AFIRMA MÉDICOS

Mais de dois anos depois, Bispo Tid continua internado com problemas na parte neurológica após passar por cirurgia bariátrica que reduz as dimensões do estômago de maneira radical e leva o paciente a comer menos. Após cirurgia, Tid começou a ter fortes dores abdominais detectando-se uma aderência intestinal, bastante comum em pessoas que reduziram o estômago. Em 9 de julho de 2009, foi operado para remover o pedaço de intestino obstruído. Horas depois, uma das suturas se rompeu, causando hemorragia interna e uma infecção forte o bastante para provocar edema cerebral. Os médicos que foram unânimes em afirmar que o caso do bispo Tid não tem volta: “Quando a parte neurológica é afetada, dificilmente há recuperação completa”. Criada pelo goiano Áureo Ludovico de Paula, a cirurgia bariátrica é uma técnica que combina a redução do estômago com a interposição de íleo (fim do intestino delgado). Ele operou mais de 450 pacientes, incluindo o apresentador da TV Globo Fausto Silva, o Faustão, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). A procuradora Léa Batista de Oliveira, do Ministério Público de Goiás, acusa o médico de ser o responsável pela morte de pelos menos sete pacientes. Para ela, Áureo tem usado pacientes como cobaias.E agora ESTEVAM HERNANDES o que fazer?

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Salve o Carteiro




                                              João Baptista Herkenhoff

          Este mundo precisa das mais diversas profissões e ofícios, todos credores de valorização e respeito, desde que desempenhados com honestidade.
          Por este motivo, em nossos artigos temos exaltado múltiplas atividades humanas: o fotógrafo, o sacerdote e o guia religioso em geral, o psicanalista, o professor, o jornalista, o escritor, o empregado doméstico, o politico, o ambientalista, o jardineiro, o ator, o músico, o médico, o jornaleiro, o bibliotecário, o magistrado, o advogado, o policial.
Se o jardineiro não cuida das flores, a cidade será insípida e sem alma.
Se os músicos não comparecem no coreto da praça, a gente sofrida não poderá se despedir da dor “pra ver a banda passar cantando coisas de amor” (Chico Buarque).
Nesta página desejo homenagear o carteiro.
Se o carteiro não entrega as cartas, o avô não receberá o cartão que, de terras distantes, a neta lhe envia.
Não foi sem motivo que Pablo Neruda atingiu culminâncias em “O Carteiro e o Poeta”. Numa remota ilha do Mediterrâneo, um carteiro recebe a ajuda do poeta Pablo Neruda para, através da Poesia, conquistar o amor de Beatrice, a eleita. O carteiro, que era o mediador da correspondência do Poeta, aprende, aos poucos, a traduzir em palavras seus sentimentos pela amada. Em troca, Mário, o carteiro, foi o interlocutor do Poeta, mostrando-se capaz de ouvir suas lembranças do Chile e compreender as dores do exilado.
Sou do tempo das cartas por via postal, que carregavam um certo mistério.
Aderi à internet pela praticidade da comunicação através deste grandioso invento, mas tenho saudade das cartas de antigamente.
Os e-mails também podem transmitir sensibilidade, mas as cartas tinham um sabor especial.
Guardo todas as cartas que recebi de minha esposa quando éramos namorados.
Como ela também guardou as que mandei, temos em nosso arquivo todas as cartas que trocamos.
          Reli, nestas férias, “Cartas do Pai”, escritas por Alceu Amoroso Lima para Maria Teresa, sua filha freira. Nessa correspondência, Alceu, cujo pseudônimo literário era Tristão de Athayde, examina os fatos do dia, no Brasil e no mundo, com aquele olhar de Fé que o caracterizou sempre.
          A publicação das “Cartas do Pai” foi o resgate da travessia terrena de uma das mais dignas figuras da história contemporânea brasileira. Coerente, intrépido, comprometido com o bem comum, Alceu personificou durante sua vida esse catálogo de virtudes cívicas através das quais é possível construir uma verdadeira Nação.
          Salve o carteiro, este trabalhador que transforma as cartas em poemas, as folhas de papel em flores perfumadas, o insípido da vida em alegria transbordante.

          João Baptista Herkenhoff, 77 anos, juiz de Direito aposentado (ES), professor e escritor.

É livre a divulgação deste artigo por qualquer meio ou veículo, inclusive através da transmissão de pessoa para pessoa.